XB: Galáxia Proibida (1982)
Começavam os anos 1980 e
filmes de ficção cientifica como Alien
e a trilogia original de Star Wars
arrecadavam milhões nas bilheterias. Com o exploitation em sua era de ouro, era
natural que surgissem inúmeras cópias vagabundas dessas obras, buscando
explorar o fascínio do público e arrecadar o máximo de dinheiro possível com o
mínimo de esforço e investimento.
O lendário produtor de filmes B Roger Corman investiu nesse “filão” e produziu Mercenários das Galáxias (1980), uma cópia muito absurda de Star Wars, e Galáxia do Terror (1981), uma cópia muito vagabunda de Alien, a qual contou com uma das primeiras atuações de Robert Englund, que seria futuramente o vilão Freddy Krueger na franquia A Hora do Pesadelo.
Depois desses “sucessos”,
Corman resolveu reaproveitar alguns dos cenários que sobraram de suas obras
anteriores e fazer outro filme. Com um roteiro de Tim Curnen e com a direção de
Allan Holzman, XB: Galáxia Proibida foi
concebida como uma óbvia cópia de Alien,
inicialmente com os títulos de Mutant e Subject 20, tendo como base um roteiro
de RJ Robertson e Jim Wynorski (diretor e roteirista de Chopping Mall, 1986, já resenhado aqui no blog).
Em um futuro distante, Mike Colby (Jesse Vint), é uma espécie de técnico/viajante espacial, o qual viaja pelas estrelas junto com a robô SAM-104 (Don Olivera). SAM-104 está comandando a nave, quando são atacados por piratas espaciais. A robô desperta Mike do sono criogênico e ambos enfrentam e derrotam os piratas.
A cena inicial já revela
o tom geral que o filme vai ter. SAM-104 é obviamente uma fantasia de
stormtrooper reaproveitada. A batalha no espaço foi montada reutilizando cenas
de Mercenários das Galáxias e é muito
genérica, com miniaturas de naves disparando feixes de luzes coloridas umas nas
outras, sem nenhum contexto, enquanto Mike e SAM-104 disparam frases genéricas
como “Preparar torpedos de plasma.”, “Campo de força caindo para 53%.”,
“Disparar tasers.”.
Depois de vencer os
piratas, a dupla é informada que deve se dirigir ao planeta Xarbia, no qual existe
um laboratório de pesquisas onde parecem estar ocorrendo alguns problemas, os
quais Mike pode ajudar a resolver.
Logo ao pousar no planeta, Mike e SAM-104 são recebidos pelo Dr. Gordon Hauser (Linden Chiles) e pela Dra. Barbara Glaser (June Chadwick), a qual logo se interessa muito por Mike. O Dr. Gordon leva Mike ao laboratório principal, que se encontra em um estado deplorável, com os cadáveres destroçados de várias cobaias animais, as quais teriam sido mortas por um dos experimentos do laboratório, chamado de Sujeito 20, o qual teria conseguido escapar e massacrado as cobaias.
Estranhamente, o Sujeito 20 retornou tranquilamente para a sua incubadora, onde se isolou em um casulo de metamorfose. Apesar da cena grotesca, nenhum dos presentes parece se importar muito, principalmente o Dr. Cal Timbergen (Fox Harris), o médico da base, que fuma e tosse sem parar.
Após conferirem os
estragos, o Dr. Gordon ordena ao técnico de laboratório Jimmy Swift (Michael
Bowen) para que limpe o laboratório dos restos sangrentos das cobaias mortas,
enquanto o resto da equipe vai se reunir no refeitório. Jimmy, que é tonto, resolve
abrir a porta da incubadora onde o Sujeito 20 está confinado, apenas por mera
curiosidade.
É obvio que o Sujeito 20 sai de seu casulo e ataca Jimmy, grudando em seu rosto como uma espécie de lesma negra. Jimmy, como muitos personagens de filmes de terror, esquece como usar as próprias mãos e, ao invés de apenas agarrar a criatura e arrancá-la de seu rosto, apenas se debate de forma histérica, rodopiando pelo laboratório, agitando os braços e termina derrubado ao solo logo em seguida.
Enquanto isso, Mike é
informado pelo eletricista da base, Brian Beale (Raymond Oliver) de que o
Sujeito 20 é um experimento criado originalmente como uma forma de combater a
escassez de alimentos. Usando um composto de DNA alienígena chamado Proto B
como base e o mesclando com outros tipos de DNA, os cientistas buscam criar uma
fonte infinita de proteínas. Mike questiona qual o DNA que foi mesclado para
criar o Sujeito 20, mas recebe apenas silêncio e recusas do Dr. Gordon, que
parece guardar um segredo bastante aterrador, que amedronta inclusive o
restante de sua equipe.
Mike sugere destruir o
Sujeito 20, de modo a garantir a segurança da base. Entretanto, o Dr. Gordon
reage de forma revoltada a sugestão, declarando que o Sujeito 20 é importante
demais para ser simplesmente destruído. Nesse momento, a assistente de
laboratório Tracy Baxter (Dawn Dunlap) encontra o corpo de Jimmy e grita de
horror. O grito alerta os demais membros da equipe, que correm ao laboratório.
Imediatamente fica claro que o Sujeito 20 está solto na base e apresenta grande risco para todos ali. Apesar do nervosismo geral, os cientistas e auxiliares resolvem atuar da forma mais profissional possível. Ou seja, não fazer nada sobre o perigo iminente e tomar as atitudes mais estupidas possíveis. Logo de início, a Dra. Barbara resolve seduzir Mike, usando um roupão minúsculo e dando início a um diálogo de fazer inveja a qualquer filme pornô de baixo orçamento.
Barbara: “ Ouvi dizer que você é o
maior solucionador de problemas desta parte da galáxia .”
Mike: “ É o que me dizem. ”
Barbara: “ Que tal me ajudar a
resolver um… problema? ”
Após esse diálogo super bem
elaborado, Bárbara e Mike partem para os finalmentes. Entretanto, enquanto
casal se joga na cama, o chefe de segurança da base, Earl Richards, exercita
seu voyeurismo e observa a atividade do casal através do sistema de câmeras de
vigilância, enquanto manipula um brinquedo de criança (em uma referência óbvia
a masturbação). Ao mesmo tempo, Tracy está em seu quarto, chorando pela morte
de Jimmy, com quem ela tinha um relacionamento amoroso.
Enquanto Mike e Bárbara
se divertem e Earl observa, o Dr. Cal examina o corpo do pobre Jimmy e descobre
que ele ainda está, de alguma forma, vivo. Entretanto, o corpo está passando
por uma mutação, se convertendo em uma espécie de forma biológica base formada
unicamente por proteínas.
Tracy acorda na manhã
seguinte, ainda abalada pela perda de Jimmy. Depois de colocar um par de óculos
escuros (muito úteis em um local fechado) e se dirige para a sauna da base.
Afinal, toda base científica que se preze tem que ter sua sauna. É um elemento
indispensável para o trabalho científico. Enquanto Tracy relaxa na sua (nua,
obviamente), Mike entra na sala e dá início a uma cena constrangedora, com ele
olhando descaradamente o corpo da mulher, sem nenhuma noção do quão invasivo
está sendo.
Nosso herói, que não
perdoa nenhuma, pouco depois de terminar sua atividade com a Doutora Barbara,
já parece disposto a se divertir com a outra mulher da base. Estranhamente,
Tracy, pouco depois de perder seu namorado, logo se interessa por Mike e começa
se insinuar para ele. E temos outro dialogo memorável:
Tracy: “Sabe de uma
coisa? Parece que você realmente precisa de um banho de vapor!”
Mike: Bom, eu tive uma
noite difícil.
Tracy: Então, justo é
justo. Tire a roupa.”
O filme parece pronto a
nos brindar com outra cena de sexo, quando o Sujeito 20 invade a sauna e Mike e
Tracy tem que fugir.
Os efeitos do Sujeito 20 foram feitos pela dupla Robert e Dennis Skotak, conhecidos por terem trabalhado com James Cameron, auxiliados por John Carl Buechler, conhecido por seus trabalhos em vários filmes de terror como Troll (1986), Ghoulies (1985) e Re-Animator (1985). O design da criatura parece uma mescla entre uma aranha e um xenomorfo e aparece de corpo inteiro na cena mais "famosa" do filme (ou, pelo menos, a mais conhecida), quando o Dr. Gordon se depara com o monstro na entrada da base, após retornar de uma expedição ao exterior.
Os cenários reaproveitados dos filmes anteriores de Corman são até bem construídos e a direção faz realmente parecer que se trata de uma base relativamente grande, com várias salas e corredores diferentes. Um fato curioso é que os cenários de Galáxia do Terror (1981) foram desenhados por James Cameron, que foi o diretor de arte deste filme.
Por outro lado, os figurinos são bastante genéricos e as armas e equipamentos utilizados parecem ser restos de uma série de ficção cientifica dos anos 50.
Entretanto, a principal pérola do filme são as situações absurdas. Talvez a maior de todas seja quando a Dra. Bárbara e Tracy resolvem tentar se comunicar com o Sujeito 20. Como se isso já não fosse estúpido o suficiente, as duas mulheres resolvem que o melhor traje para realizar este contato seria dois minúsculos roupões de banho. É claro que isso não termina bem e a Dra. Barbara morre empelada por um tentáculo da criatura.
Como todo filme de Roger Corman, XB: Galáxia Proibida tem nudez gratuita (destaque para a cena de Barbara e Tracy tomando banho juntas), cenas de sexo softcore, atuações terríveis e cenários reutilizados. Tudo aliado a boas quantidades de gore e body horror. Além de tudo isso, a cara de pau de Corman é outro aspecto memorável desta obra. O produtor teria inclusive dito, certa vez, que esse filme foi a realização de seu desejo de fazer uma versão de Lawrence da Arábia (1962) no espaço (?????????????????).
É ruim? É muito ruim. Mas
é muito divertido.




















































