segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Godzilla

 Godzilla (1998)

Eu realmente nunca gostei de filmes com monstros ou robôs gigantes. Eu entendo que esse tipo de filmes tem muitos fãs, mas eles nunca conseguiram me conquistar. Em minha opinião, filmes desse gênero são sempre recheados de clichês, com roteiros muito decepcionantes e personagens humanos desinteressantes.

Porém, existe um filme de monstro gigante que eu realmente amo, a ponto de ter ele como um dos meus 50 filmes favoritos. Esse filme é “Godzilla”, o original de 1954, dirigido por Ishirô Honda e produzido pela lendária Toho Studios. Essa obra é simplesmente fantástica, com um roteiro fabuloso, atuações primorosas e personagens humanos realistas e interessantes, com os quais é possível empatizar de verdade. E o melhor de tudo, esse filme apresentou para o mundo um dos personagens mais lendários do cinema, o monstro atômico Godzilla, que conquistaria legiões de fãs pelo mundo todo ao longo dos anos.


Atualmente, o monstro Godzilla já conta com 32 filmes, divididos em três fases: A Fase Showa, que vai de 1954 a 1975 e conta com 15 filmes, a Fase Heisei que vai de 1984 a 1995 e conta com 07 filmes e a Fase da Era Millenium, que vai de 1999 a 2004 e conta com 06 filmes. Além disso, existem alguns filmes independentes que não se encaixam em nenhuma das fases, além de séries animadas, histórias em quadrinhos e filmes produzidos fora do Japão com autorização da Toho.

Em meio a todas essas obras, existem alguns filmes muito bons como o original de 1954, “Godzilla vs. King Ghidorah” (1991), “Godzilla vs. Mothra” (1992) e “Shin Godzilla” (2016), e outros muito ruins como “O Filho do Godzilla” (1967), “Godzilla vs. Megalon” (1973) e a atrocidade “Godzilla: All Monster Attack” (1969).

Godzilla Vs King Ghidorah (1991), um dos melhores

Godzilla: All Monster Attack (1969), de longe o pior

Nos anos 1990, Godzilla estava no auge da sua popularidade, tanto no Japão quanto no restante do mundo. O lagarto atômico mais amado de todos os tempos tinha protagonizado alguns dos seus filmes mais interessantes na primeira metade dessa década e os produtos licenciados com sua imagem vendiam como água em todo o planeta, criando uma verdadeira Godzillamania.

Godzilla chegou a ter uma série animada produzida pelo estúdio Hanna-Barbera com duas temporadas entre 1978 e 1979...

... e teve uma série de histórias em quadrinhos publicados pela Marvel Comics entre 1977 e 1979

Tendo isso em mente, surgiu o projeto de um filme norte-americano de Godzilla. Esse projeto foi pensado originalmente pelo produtor Henry G. Saperstein e oferecido a Sony Pictures, para a Columbia Pictures e para a TriStar Pictures, mas todas rejeitaram a ideia, pois acreditavam que Godzilla era um personagem que apenas interessava as crianças e não renderia muito dinheiro em um filme de ação no estilo de Hollywood. Somente quando o produtor Cary Woods levou o projeto direto a Howard Peter Gruber, CEO da Sony, foi que a ideia começou a avançar.

Gruber deu o sinal verde para o projeto, o qual foi encarregado aos produtores da Tristar Pictures, uma das subsidiarias da Sony. Em 1992 foram adquiridos junto a Toho Studios, os direitos para uma adaptação cinematográfica norte-americana de Godzilla e a TriStar anunciou seus planos de criar um remake da obra original da Toho e produzir uma trilogia de filmes com o famoso monstro gigante.

Inicialmente foi contratado Jan de Bont como diretor e o filme devia ser lançado no verão de 1996. Sam Winston e sua famosa equipe de efeitos especiais foi contratada para produzir os efeitos do filme. Ted Elliot e Terry Rossio foram encarregados do roteiro. Mas, devido a discussões em relação ao orçamento, DeBont desistiu do projeto em 1994 e o filme entrou em ponto morto.

Jan de Bont

Em 1996, Roland Emmerich foi contratado como novo diretor e Dean Devlin assumiu como o produtor principal do filme. Com a garantia da TriStar de que teriam liberdade criativa para realizar a obra da forma como acreditassem ser melhor, os dois começaram a trabalhar no projeto. Suas primeiras atitudes a frente da obra foram a descartar o roteiro inicial escrito por Elliot e Rossio, junto com todas as ideias criadas por De Bont. O objetivo era criar um filme completamente novo, que tivesse o espirito do monstro japonês original, mas que trouxesse uma imagem mais moderna.

Roland Emmerich

Dean Devlin

Para ajudar a consolidar toda a confiança concedida pelo estúdio a dupla Emmerich/Devlin, naquele mesmo ano de 1996 o diretor Emmerich lançou “Independence Day” e viu o filme se converter em um dos maiores sucessos de público, critica e bilheteria da década de 1990, rendendo mais de 800 milhões de dólares. Com esse histórico vencedor como apoio, Emmerich pode bancar todas as suas ideias na realização de seu novo filme.

Independence Day (1996)

Godzilla começa com imagens de testes nucleares realizados pelo governo francês nos territórios da Polinésia Francesa. A radiação das explosões atômicas termina atingindo um ninho de ovos de iguana, causando mutações.

Alguns anos depois, um navio de pesca japonês que navega pelo Oceano Pacífico é atacado por uma misteriosa criatura e apenas um marinheiro consegue sobreviver. Esse sobrevivente é resgatado e levado a um hospital no Taiti, onde acaba sendo interrogado por um misterioso homem francês. O sobrevivente responde as perguntas com uma única palavra: “Gojira”.

Nesse ínterim, somos apresentados ao Dr. Niko “Nick” Tatopoulos (Matthew Broderick), nosso protagonista, o qual está realizando pesquisas na Zona de Exclusão do desastre na usina de Chernobyl, na Ucrânia. O Dr. Tatopoulos está estudando os efeitos da radiação na fauna local, mas é interrompido por um agente do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que precisa que Nick realize um trabalho importante para o governo americano.

E é aqui, em minha opinião, que o filme apresenta o seu maior defeito. Matthew Broderick é um ator bastante mediano e não consegue convencer como um protagonista em um filme de ação. Muitos fãs mais velhos ainda se lembram com carinho de seu trabalho mais reconhecido, o filme “Curtindo a Vida Adoidado” (1986) e reverenciam a capacidade de Broderick como ator, mas eu realmente não consigo engolir seu trabalho. Embora aceite a opinião favorável que muitas pessoas possam ter por ele, eu nunca gostei das atuações de Broderick e sempre que ele aparece em tela, na minha opinião, o filme decai imediatamente de qualidade.

Nick é levado até o Panamá, onde aparentemente uma criatura monstruosamente grande causou estragos em uma zona rural, deixando para trás enormes pegadas e um rastro de destruição. Enquanto está ali, conhece ao Coronel Hicks (Kevin Dunn) e a Dra. Elsie Chapman (Vicki Levis), os responsáveis por investigar o que aconteceu naquele lugar. Os três juntos assistem a uma fita VHS enviada pelo governo francês onde aparecem imagens do navio japonês atacado e do interrogatório do marinheiro sobrevivente.


Na cidade de Noiva York, somos apresentados a Audrey Timmonds (Maria Pitillo), uma jovem secretaria no canal de televisão WIDF News e que está buscando uma promoção em seu trabalho. Para conseguir sua promoção a repórter, Audrey trabalha como uma escrava para seu insuportável chefe, o apresentador Charles Caiman (Harry Shearer), o qual a explora de todas as formas possíveis. Ao ser assediada sexualmente por Caiman, que exige que ela realize um jantar íntimo para os dois em seu apartamento, Audrey percebe o tamanho da enrascada em que está metida.

Na Jamaica, Nick, Elsie e o Coronel Hicks investigam um navio cargueiro que foi atacado por uma criatura enorme, a qual rasgou o casco do navio com suas garras. Enquanto realizam seu trabalho, são abordados pelo mesmo francês misterioso que interrogou o sobrevivente japonês no Taiti. O francês tenta conversar com o coronel, mas este termina expulsando-o.

Enquanto isso, a criatura se aproxima dos Estados Unidos. Alguns barcos de pesca são atacados e afundados nas águas territoriais americanas e tudo isso não faz nenhum sentido lógico. Aliás, nenhuma das atitudes do monstro faz sentido. Afinal, por que ele deixou as águas da Polinésia Francesa e nadou milhares de quilômetros até a América Central, cruzou o estreito do Panamá e entrou nas águas do Oceano Atlântico? O roteiro do filme dá a entender que a criatura fez isso em busca de peixes para comer. Mas isso também não faz sentido. Se ela necessita de peixes, bastaria seguir as correntes oceânicas e caçar os grandes cardumes que existem em alto mar. Atacar barcos de pesca ou de carga para obter comida é algo completamente sem propósito, haja visto que a criatura poderia obter muito mais alimento com muito menos esforço apenas comendo os peixes que encontrasse livres no mar. Além disso, cruzar o estreito do Panamá é algo absurdo. Afinal, como a criatura soube que havia outro oceano do outro lado do estreito? E por que trocar de oceano? A criatura estava entediada? Nada faz sentido.

Porém, fazendo sentido ou não, a criatura chega à Nova York. Enquanto isso, Nick apresenta sua teoria de que a criatura é uma espécie animal mutada pela radiação dos testes nucleares na Polinésia Francesa, descartando a teoria da Dra. Chapman de que se trata de um dinossauro que sobreviveu a extinção de seus semelhantes e permaneceu oculto durante centenas de milhares de anos.

Em Nova York, Audrey reclama com seus amigos sobre o comportamento asqueroso de seu chefe. É nesse momento que ela percebe uma reportagem na televisão da lanchonete onde está e vê Nick durante sua passagem pelo Panamá. Somos então informados de que estes dois tiveram um relacionamento na universidade e parece que ainda existe um forte sentimento entre eles.

Mas não temos tempo para romance. A criatura chegou à cidade e começa a deixar um rastro de destruição por onde passa. Emergindo do oceano em uma cena incrível no porto da cidade, o monstro avança lentamente pelas ruas, causando pânico e desespero nos nova-iorquinos, acabando inclusive com um comício do prefeito.

Uma das cenas mais recordadas deste filme acontece quando um dos amigos de Audrey, o cameraman Victor Palotti (Hank Azaria) se coloca no meio da rua para poder filmar o monstro e quase é esmagado pela gigantesca pata da criatura. Me lembro de ter visto esta cena quando criança e de ter ficado abismado com ela.

O vídeo gravado por Victor é divulgado na televisão e informa todo o país sobre a situação catastrófica. Percebendo o tamanho (literalmente) do problema, os militares assumem o controle da situação e ordenam a evacuação imediata da ilha de Manhattan. O Dr. Nick e a Dra. Elsie se juntam ao comando militar para tentar elaborar uma solução para a crise.

Enquanto isso, Audrey resolve fazer uma última tentativa para conseguir sua promoção. Percebendo que Nick está trabalhando junto com os militares no comando militar em Nova Jérsei, ela tenta convencer seu chefe a deixá-la ir até lá para conseguir mais informações sobre a criatura. Infelizmente, Caiman continua se comportando como um machista asqueroso e rejeita as ideias de Audrey. Ela, porém, consegue roubar o crachá de imprensa de Caiman e parte para Nova Jérsei com o objetivo de conseguir as informações a qualquer custo.

O prefeito Ebert (Michael Lerner) concorda com a evacuação ordenada pelos militares e transfere seu gabinete para fora de Manhattan. Quando seu helicóptero pousa fora da ilha é recebido por um grupo de empresários furiosos com os danos que a evacuação irá causar em seus negócios. Entre estes empresários está o francês misterioso, o qual aproveita a situação para plantar uma escuta nas roupas do prefeito.


Os militares descobrem que o monstro está usando os tuneis do metrô da cidade para se esconder (algo que realmente não entendo, pois não me parece que a criatura possa caber nestes tuneis). Com o objetivo de atrair a criatura para fora, uma armadilha é preparada, com uma enorme pilha de peixes cercada por tanques de guerra e tropas armadas no famoso cruzamento entre a Fifth Avenue, a Broadway e a 23rd Street. Toda essa movimentação é observada de longe pelo francês misterioso e seus colegas.

O cruzamento entre a Fifth Avenue, a Broadway e a 23rd Street

O plano funciona e a criatura emerge do subterrâneo para comer. É nesse momento que podemos ver seu enorme corpo por inteiro pela primeira vez. Enquanto o monstro gigantesco come, os militares abrem fogo, mas não conseguem feri-lo. Durante o combate, o lendário edifício Flatiron Building é destruído. O monstro foge e é perseguido por helicópteros Boeing Ah-64 Apache. Durante a perseguição, os helicópteros acabem destruindo outro famoso edifício da cidade, o Chrysler Building. Aparentemente, o maior perigo para Manhattan não é a criatura, mas sim os militares enviados para enfrentá-la.


Flatiron Building

Chrysler Building

A operação militar termina com um fracasso completo e os helicópteros são destruídos. Ao retornar a Nova Jérsei, Nick se reencontra com Audrey. Inicialmente, os dois não parecem não se sentir muito confortáveis com o reencontro, mas logo a situação parece se relaxar um pouco e Nick leva Audrey até seu laboratório improvisado, onde os dois conversam sobre a natureza da criatura que está destruindo Manhattan. É durante esta conversa que Nick faz uma importante descoberta e brinda a audiência com uma das cenas mais criticadas deste filme. Usando um teste de gravidez de farmácia, ele descobre que a criatura está gravida. E isso é completamente absurdo. Como é possível que um simples teste de gravidez desenvolvido para analisar o nível hormonal de uma mulher humana, um mamífero que se reproduz por gestação interna, seja capaz de demonstrar a gravidez de um anfíbio mutante que se reproduz através de ovos? Claramente esse filme ignora completamente todos os conceitos sobre biologia, tanto humana como animal.

Baseado em sua absurda descoberta, o Dr. Nick deduz que o monstro é hermafrodita e veio até Nova York para fazer um ninho para colocar seus ovos. Fascinado por estas deduções, Nick resolve levar estas informações ao comando militar e pede que Audrey espere por ele ali no laboratório.

E mais uma vez somos apresentados a uma situação sem nenhum sentido lógico ou explicação. Afinal, por que Godzilla escolheu Noiva York para fazer seu ninho? Segundo o Dr. Tatopoulos, a criatura escolheu a cidade pois é uma ilha enorme, cercada de água e onde pode se esconder perfeitamente. E tudo isso é uma bobagem sem tamanho. Se Godzilla queria uma ilha como ninho, poderia ter escolhido entre centenas de ilhas desabitadas que existem no Oceano Pacífico, onde poderia se esconder e teria a vantagem de não ser perturbada por um monte de humanos fortemente armados e decididos a exterminá-la.

Logo que fica sozinha no lugar, Audrey descobre uma fita VHS com as imagens sobre o que aconteceu no Panamá e o interrogatório do marinheiro japonês sobrevivente do primeiro ataque e a rouba para entregar ao seu chefe e conseguir sua promoção.

Entretanto, para azar de Audrey, seu chefe termina roubando sua matéria e atribuindo a si mesmo todos os méritos pelas informações obtidas. Usando as imagens roubadas por Audrey, Caiman faz uma reportagem bombástica e nomeia a criatura como Godzilla após cometer um erro de tradução da palavra dita pelo sobrevivente japonês. Ao mesmo tempo, os militares assistem a reportagem na televisão e acreditam que Nick é o responsável por ter divulgado as imagens. Assim sendo, descartam a teoria de Nick de que a criatura pode estar grávida e o expulsam da equipe.

Desolado, Nick resolve partir de Nova Jérsei. Antes de sair da cidade, porém, ele se encontra com Audrey e declara estar muito desapontado por ela ter traído sua confiança e roubado a fita com as imagens. Depois de discutir com Audrey, Nick toma um taxi para o aeroporto, mas acaba sendo recolhido pelo misterioso francês que esteve observando a situação até este momento. O francês se apresenta como Philipe Roaché (Jean Reno), um agente do serviço secreto francês que lidera uma equipe de comandos de forças especiais com a missão de destruir Godzilla e limpar o nome da França, antes que surja um escândalo internacional e a situação saia definitivamente fora de controle.

Os franceses recrutam Nick para ajudá-los a destruir o ninho de Godzilla, que eles descobrem que está localizado dentro do estádio do Madison Square Garden. Enquanto isso, Godzilla emerge do subsolo e enfrenta o exército americano, no que parece ser a batalha final.

Embora não tenha sido um fracasso de bilheteria (custou 130 milhões de dólares para ser produzido, mais 80 milhões em marketing e divulgação e arrecadou mais de 379 milhões de dólares), Godzilla foi muito criticado tanto pelos fãs do monstro japonês quanto pela critica especializada, principalmente devido ao seu roteiro fraco, a atuação pouco dedicada de alguns membros do elenco e a direção errática de Roland Emmerich. Devido a todas essas críticas e por não terem conseguido alcançar a bilheteria desejada (lembrando que para um filme ser considerado realmente lucrativo este deve render, no mínimo, o triplo do que custou), os planos originais da TriStar para uma trilogia foram definitivamente enterrados.

Matthew Broderick e Maria Pitillo durante um evento de divulgação de Godzilla

Roland Emmerich junto com Matthew Broderick e Jean Reno durante as filmagens de Godzilla

O principal problema foi o desastre financeiro ocasionado pelo fracasso do licenciamento da marca Godzilla. Os produtores imaginavam que o filme seria um sucesso avassalador nos moldes de “Independence Day” e isso geraria uma fortuna com a venda de produtos licenciados como mochilas, roupas, tênis, bonés, bicicletas e brinquedos variados. Por isso, investiram pesado em marketing e divulgaram o filme em todas as mídias possíveis. Mas, ao contrário do que se imaginava, o filme não gerou o envolvimento esperado junto ao público, a mercadoria encalhou nas lojas e causou um enorme prejuízo as empresas que investiram nesse projeto.

Alguns exemplos da publicidade feita para Godzilla: "É tão longo quanto este sinal"...

... e um ônibus totalmente decorado com propaganda: "Sua pegada é mais longa que este ônibus", "Dos criadores de Independence Day. Godzilla. O tamanho importa."

Porém, apesar de todas as críticas e problemas, Godzilla conseguiu angariar uma pequena legião de fãs e inclusive deu origem a uma série animada com duas temporadas produzida pela Adeliade Productions. A série foi surpreendentemente bem feita e ajudou a elevar o número de fãs da versão americana de Godzilla. No Brasil, a série foi exibida a partir de 1999 pela Globo no programa Angel Mix, apresentado de segunda a sexta-feira pela Angélica, e teve um grande sucesso. Aliás, muitos espectadores brasileiros assistiram primeiro a série animada e somente tempos depois assistiram ao filme que deu origem a ela.

Godzilla, a série animada

No Japão, Godzilla teve a mesma recepção apresentada pelo público norte-americano: inicialmente, foi um sucesso expressivo, mas lentamente o entusiasmo do público foi decaindo ao longo das semanas. Muitos fãs japoneses disseram que se sentiram decepcionados com a obra. O ator Kenpachiro Satsuma, que interpretou Godzilla nos filmes da Fase Heisei, abandonou uma sessão do filme afirmando que “não é Godzilla, não tem o espírito dele”. Da mesma forma, Haruo Nakajima, que interpretou Godzilla em vários filmes da Fase Showa, também criticou o filme norte-americano e disse que o monstro do filme “parece uma iguana e seu corpo e membros parecem um sapo”. Apesar das críticas, a Toho faturou uma boa quantidade de dinheiro através dos direitos de adaptação. Com esse dinheiro, a Toho deu início a Fase Millenium de seu monstro atômico e lançaram, em 1999, “Godzilla 2000”. Um dos motivos declarados pela produtora japonesa para a realização deste filme foi a de apagar a imagem que tinha sido criada para o personagem pelo filme norte-americano. Para diferenciar o Godzilla original daquele criado pela TriStar, a versão de 1998 passou a ser chamado pelos japoneses de Zilla.

Godzilla 2000 (1999)

Para dar um final definitivo ao Zilla, o filme "Godzilla: Final Wars" (2004) colocou a versão norte-americana enfrentando a versão original japonesa e sendo derrotado da forma mais humilhante possível.




Os efeitos digitais hoje em dia parecem bastante medíocres, principalmente se comparados a obras modernas que contam com um CGI muito superior. Entretanto, na época de lançamento do filme foram bem aceitos pelo público. Eu mesmo fiquei deslumbrado por esses efeitos a primeira vez em que assisti ao filme. Porém, a medida que fui assistindo novamente ao longo dos anos, pude perceber que os efeitos realmente deixam um pouco a desejar em certos momentos, com o monstro apresentando uma textura estranha e não se mesclando com seu entorno, parecendo muito claramente algo inserido de maneira artificial.

Inicialmente, a ideia de Emmerich era utilizar um animatrônico para simular os movimentos do monstro na maioria das cenas, deixando o CGI apenas para algumas cenas menos importantes. O animatrônico chegou a ser realmente construido e usado em algumas filmagens. Entretanto, a preocupação com os custos de produção e a demora nas filmagens terminou por colocar o CGI como a principal fonte dos efeitos e relegou os efeitos práticos a uma posição secundária.

Algumas imagens do animatrônico construído para as filmagens

Por outro lado, o design da versão norte-americana do Godzilla foi considerado uma verdadeira heresia por grande parte dos fãs. Baseado em desenhos feitos por Patrick Tatopoulos, o monstro foi influenciado claramente pela febre por dinosssauros que varreu o público durante a década de 90, capitaneada pelo sucesso estrondoso de "Jurassic Park" (1993). Com uma mescla entre uma iguana e um tiranossauro, o design foi aprovado pelos executivos da Toho, mas não convenceu os fãs.

Um dos desenhos conceituais de Tatopoulos para o Godzilla

 O humor do filme é outro de seus defeitos. As piadinhas são totalmente deslocadas dentro do roteiro e não fazem sentido. Uma das piadas apresentadas é a de que o sargento O’Neal (Doug Savant), responsável pelas operações militares dentro da cidade, é gago e não consegue informar direito seus superiores. Outra amostra de “humor” é o fato de que nas poucas (pouquíssimas) vezes em que Godzilla usa seu sopro atômico, se houve o rugido de uma pantera.

O roteiro é muitas vezes absurdo e apresenta muitos furos. Além das muitas situações sem sentido (algumas das quais já abordei anteriormente), o espectador termina o filme com muitas mais perguntas do que respostas. Algumas das questões que nunca são respondidas durante o filme: Como os militares conseguiram evacuar a parte mais populosa da maior cidade do mundo em menos de um dia? Como Godzilla consegue se movimentar tão bem dentro de uma cidade que nunca havia conhecido antes, a ponto de conseguir realizar emboscadas aos militares e se ocultar rapidamente sem esforço?

Ao fim e ao cabo, Godzilla não é realmente um filme ruim, mas também não é uma obra digna o suficiente para ser considerado um filme bom. É, na verdade, um filme puramente guilty pleasure, que conquistou sua própria legião de fãs e permanece até os dias atuais como uma obra que marcou muitas infâncias.

 

domingo, 12 de junho de 2022

O Quarteto Fantástico

 

O Quarteto Fantástico (1994)

Corria a década de 1980. Mesmo com o fim da Era de Bronze, os quadrinhos ainda viviam um dos seus melhores momentos. Obras consagradas como “Camelot 3000” (1982) escrita por Mike W. Barr e Brian Bolland, “Watchmen” (1986-1987) e “Monstro do Pântano” (1983-1987) ambas escritas por Alan Moore e “Batman- O Cavaleiro das Trevas” (1986) de Frank Miller, surgiram nesta época e ajudaram a moldar a chamada Nona Arte. Com tramas muito mais pesadas do que até então era habitual e tratando muitas vezes de temas bastante adultos e muitas vezes considerados tabus (como violência doméstica, estupro, homossexualidade e uso de drogas), os quadrinhos desta década marcariam toda uma geração de leitores.


Por outro lado, o cinema de super-heróis também teve seus bons momentos durante os anos 80, com filmes como “Superman II- A Aventura Continua” (1980), “Superman III” (1983), “Superman IV- Em Busca da Paz” (1987) e “Batman” (1989).


E foi em meio a este clima que a Constantin Film, uma produtora de filmes alemã, resolveu adquirir junto a Marvel Comics os direitos para uma adaptação cinematográfica do Quarteto Fantástico, uma das equipes de super-heróis mais antigas e famosas do mundo, criada pelas lendas Stan Lee (criador do Homem-Aranha, dos X-Men, do  Homem de Ferro, do Thor, do Pantera Negra e de vários outros heróis da Marvel) e Jack Kirby (criador do Capitão América para a Marvel, então Timely Comics, e dos Novos Deuses para a DC Comics). Era o ano de 1986 e o contrato firmado entre as duas empresas estabelecia que o filme deveria ser produzido até 1992, ou os direitos voltariam para a posse da Marvel e a produtora alemã teria de pagar uma multa de cerca de 5 milhões de dólares.


Stan Lee (1922-2018)

Jack Kirby (1917-1994)

Inicialmente, parecia uma tarefa fácil produzir o filme. Porém, com o passar do tempo, a Constantin Film percebeu que havia se metido em uma enrascada difícil de resolver. Os custos de produção seriam exorbitantes, devido principalmente aos efeitos especiais para simular os poderes dos heróis, e a elaboração do roteiro foi um problema desde o início.

É importante deixar claro que, mesmo com o sucesso de outros filmes de super-heróis, eram poucos aqueles que viam esse tipo de produção como algo rentável. Super-heróis ainda eram vistos como algo muito infantil e seus filmes eram percebidos como produtos muito restritos a um público pouco amplo. Por outro lado, o fracasso do filme da “Supergirl” (1984), junto aos iguais fracassos de “Superman III” e “Superman IV- Em Busca da Paz”, sendo que este último fracasso ajudou a falir a produtora Cannon Group, aliados ao patético desempenho de “Capitão América” (1990), uma produção da Marvel Studios junto com a 21st Century Film Corporation, a Paramount Pictures e a Jadran Film, ajudou a consolidar entre uma grande parte de Hollywood a ideia de que filmes de super-heróis não eram um bom negócio, ideia esta que só começaria a mudar com o sucesso do primeiro filme dos “X-Men”, no ano 2000.


"Capitão América" de 1990. Sim, esse filme existe.

Com este ambiente um tanto hostil para produções cinematográficas com super-heróis, a Constantin começou a repensar sua estratégia. A realização de um filme do Quarteto Fantástico não parecia mais tão rentável assim. Entretanto, algo deveria ser produzido, ou a empresa teria que arcar com uma multa, a qual não estava disposta a pagar de nenhuma maneira. Foi então que uma ideia surgiu entre os executivos da produtora: produzir um filme com um orçamento baixíssimo, gastando o mínimo possível, apenas para cumprir os termos do contrato firmado com a Marvel e evitar a multa.

Para a realização desta tarefa, foi contratado o mestre absoluto dos filmes de baixo orçamento, ninguém menos que Roger Corman, que produziu e/ou dirigiu obras famosas do cinema B como “The Fast and The Furious” (1954), “A Besta com um Milhão de Olhos” (1955), “Ameaça Espacial” (1956), “A Pequena Loja dos Horrores” (1960), “A Máscara da Morte Vermelha” (1964), “Carnossauro” (1993) e muitos outros, além de ter atuado em vários filmes, tanto seus quanto de outros diretores. Com o orçamento limitado de pouco mais de um milhão de dólares e a ajuda de Bernd Eichinger como co-produtor, Corman deu inicio aos trabalhos, economizando o máximo possível e fazendo verdadeiros milagres com os poucos recursos que tinha a sua disposição e o prazo cada vez mais escasso (afinal, a data limite estabelecida no contrato se aproximava e o filme deveria estar já bastante adiantado até lá).

Roger Corman

Com a direção de Oley Sassone (conhecido como o diretor da famosa série “Xena: A Princesa Guerreira”, de 1997 a 1998) e roteiro dos iniciantes Craig J. Nevius e Kevin Rock (que, infelizmente, nunca fizeram nada de muito relevante em suas carreiras), o filme foi feito em pouco mais de um mês, um tempo bastante curto para a realização de um longa-metragem, embora produzir filmes em tempo recorde sempre tenha sido uma das marcas registradas de Corman.

Oley Sassone durante as filmagens

Originalmente, a data de lançamento do filme foi fixada para 1994, no mesmo ano em que a equipe ganharia uma nova série animada para TV. Porém, antes da obra ser lançada nos cinemas, os executivos da Marvel tinham que assistir ao filme primeiro e dar o seu aval para o lançamento (conforme também estava estipulado no contrato). Foi então que a coisa desandou. Ao verem na tela toda a loucura produzida por Corman e sua equipe, os executivos da editora se recusaram a permitir que aquele absurdo fosse exibido ao público e exigiram que todas as cópias da obra fossem destruídas imediatamente, para evitar um vexame completo, afinal os quadrinhos da editora estavam no auge, vendendo como pão quente na feira, e os executivos não queriam que um possível fracasso nas bilheterias comprometesse a lucratividade da empresa.

A série animada do Quarteto Fantástico dos anos 90

Assim sendo, a Constantin aceitou as exigências da Marvel e destruiu as cópias. Ao fim de tudo, a produtora alemã tinha se livrado da multa e conseguido salvar sua reputação, o que era seu verdadeiro objetivo. Parecia que tudo terminaria aí e ninguém nunca mais ouviria falar deste filme, o qual seria lembrado apenas como mais uma obra que nunca chegou ao grande público. Entretanto, alguém dentro da produtora (nunca se soube exatamente quem) conseguiu salvar uma cópia do filme para si. Naquela época, o filme já havia sido anunciado aos quatro ventos e muitos fãs estavam ansiosos para poder vê-lo. Não demorou muito para que cópias VHS piratas do filme começassem a aparecer para venda, principalmente nas convenções de quadrinhos norte-americanas. Durante algum tempo a Marvel tentou combater este mercado negro, mas com a terrível crise que assolou a empresa em 1996, seus executivos passaram a ter outras coisas nas quais pensar e os fãs puderam vender e trocar suas cópias piratas a vontade. No inicio dos anos 2000, alguém resolveu colocar o filme na internet e logo ele estaria disponível para o mundo inteiro, inclusive em uma versão com legendas em português.

O Quarteto Fantástico começa com os jovens Reed Richards (Alex Hyde-White), Ben Grimm (Michael Bailey Smith) e Victor Von Doom (Joseph Culp) estudando física na universidade. Ali, um professor (George Gaynes) fala sobre Colossus, um cometa radioativo que parece possuir a capacidade de se locomover a velocidade da luz. Este cometa irá passar muito perto da Terra naquela mesma noite e Reed e Victor parecem ter algum plano em mente para este evento.

Na cena seguinte, somos apresentados a Jhonny (Phillip Van Dyne) e Susan Storm (Mercedes McNab), dois irmãos que vivem com sua mãe, May Storm (Annie Gagen), em uma pensão para estudantes universitários. Reed mora nesta pensão e a jovem Susan parece ter uma paixonite por ele, apesar da óbvia diferença de idade entre ambos.

Naquela noite, enquanto as demais pessoas se divertem em observar o cometa que passa pela Terra, Reed e Victor realizam um experimento secreto para se aproveitarem da energia do cometa. Porém, o experimento falha e Victor termina se ferindo gravemente e Reed sobrevive apenas devido a ajuda de seu amigo Bem Grimm. Após o trágico acidente, Victor é levado ao hospital e declarado morto. Entretanto, dois homens misteriosos entraram disfarçados de médicos no hospital, fingiram a morte de Victor, resgataram seu corpo ferido e o levaram embora, sem que ninguém percebesse nada.

Dez anos se passam e reencontramos Reed, Ben, Jhonny (agora interpretado por Jay Underwood) e Susan (agora interpretada por Rebeca Staab). Os quatro amigos vão participar de um voo espacial experimental, com o qual Reed pretende novamente estudar o cometa Colossus.

Mas, o que eles não sabem é que um enorme diamante, importantíssimo para a realização do experimento, foi roubado por um criminoso conhecido como Joalheiro (Ian Trigger) e substituído por uma cópia. O vilão pretende dar a joia como presente a sua amada, a escultora cega Alicia Masters (Kat Green). Essa mesma escultora teve um inesperado e constrangedor encontro recente com Ben Grimm, durante o qual somos brindados com cenas muito infelizes onde Grimm mostra como não se deve agir ao tratar com uma pessoa que possua uma deficiência visual.

Por outro lado, o Joalheiro não é o único interessado no diamante. Os mesmos homens que resgataram Victor do hospital dez anos antes também estão buscando a joia, sob as ordens de um misterioso indivíduo mascarado. Este indivíduo descobre posteriormente sobre o roubo realizado pelo Joalheiro e resolve não interferir por enquanto.

Sem o diamante original, o voo especial de Reed e seus amigos termina em desastre, pois sua nave é atingida por raios cósmicos e termina explodindo no espaço. Os destroços caem na terra e, milagrosamente, os quatro viajantes sobrevivem ao acidente. Após perceberem que ainda estão vivos, os quatro amigos começam a perceber que os raios cósmicos lhes proporcionaram poderes sobre humanos. Reed pode se esticar como um elástico, Jhonny pode lançar chamas e incendiar seu corpo, Susan pode ficar invisível, enquanto Ben não parece ter desenvolvido nenhum poder no momento.

Em outro lugar, o misterioso individuo mascarado descobre que os quatro amigos sobreviveram ao desastre e fica furioso com a situação. Ele ordena a seus capangas que tragam os quatro até ele o mais rápido possível.

Enquanto isso, o mundo todo acredita que o quarteto de viajantes faleceu em sua viagem. Alicia fica muito triste com a notícia e passa a fazer vários bustos com o rosto de Bem Grimm, o qual ela pode tocar em seu encontro anterior, e seus amigos, como uma forma de homenagem. Enquanto isso, o Joalheiro está reunido com seus capangas no esgoto e ordena que lhe tragam Alicia para ser sua rainha.

No meio do campo, Reed e os outros descansam, quando são abordados por um grupo de militares. É então que descobrimos que Ben acabou se transformando em um ser feito de rocha pura (interpretado por Carl Ciarfalio). Após o espanto inicial, os amigos são levados até uma base para serem estudados. Segue-se uma serie de cenas vergonhosas, onde os heróis demonstram seus poderes, deixando em evidencia a precariedade absoluta do filme.

Reed demonstra sua elasticidade esticando um braço apenas, com um efeito obvio de uma mão de plástico na ponta de uma vassoura. Susan desaparece através de um efeito de sobreposição de planos criado nos anos 1930. Jhonny lança chamas em um efeito típico de ilusionistas e consegue apenas acender uma das mãos. Ben, por outro lado, é representado por uma roupa de borracha ridícula, onde é possível ver as emendas do traje e a fenda para os olhos do ator. A mobilidade do traje é muito limitada e travada, dificultando as cenas de ação.

Não demora muito para que os quatro amigos descubram que não estão em uma base militar e sim em um dos covis do individuo mascarado. Assim sendo, os quatro resolvem escapar, e os espectadores se põem ansiosos com a possibilidade de verem a primeira cena de luta do filme. Porém, não há cena alguma. A câmera apenas gira descontroladamente e quando volta ao normal, a luta já acabou.

Enquanto isso, o Joalheiro está mantendo Alicia presa nos esgotos e tenta convence-la a viver ali com ele. O vilão é visitado pelos capangas do mascarado misterioso e se recusa a vender o diamante para ele.

Voltando aos quatro amigos, estes estão tentando fugir do covil e terminam descobrindo uma estranha arma laser, capaz de pulverizar uma cidade inteira. Enquanto investigam a arma, eles são confortados por seu misterioso algoz, o qual se declara como Doutor Doom (ou Doutor Destino, como é mais conhecido no Brasil). O vilão tenta convence-los a se unirem a ele. Como os amigos se recusam, ele ordena que seus capangas os matem. E é aqui que acontece a primeira das muitas cenas de luta mal coreografadas do filme.

Após vencer os capangas, os quatro fogem do covil e vão até o Edifício Baxter, em Nova York, onde Reed termina percebendo que o vilão se trata de Victor, que ainda segue vivo (algo bem obvio, afinal o vilão e Victor se chamam Doom). Acreditando que se transformou em uma aberração, Ben foge para as ruas da cidade, onde é encontrado por alguns mendigos e levado para o covil do Joalheiro nos esgotos. Ali, o atormentado homem é bem recebido, porém logo Dr. Doom ataca o covil, em busca do diamante. 

Começa uma luta entre os capangas de Doom e os do Joalheiro e quando Ben resolve interferir, Doom toma Alicia como refém. E então que a mulher declara seu amor por bem, o que faz com que este tenha uma reação emocional a acabe revertendo de volta a sua forma humana. Sem poder ajudar Alicia, Ben foge e volta ao Edifício Baxter para se reunir com seus amigos. Ao mesmo tempo, Doom entra em contato com eles e exige que se entreguem a ele ou senão irá destruir Nova York com seu laser.

Os quatro amigos resolvem se unir e confrontar Doom de uma vez por todas. Usando os uniformes que Susan costurou para eles e se denominando Quarteto Fantástico, os quatro partem para salvar Nova York.

O Quarteto Fantástico é um autêntico filme trash, com vários defeitos e problemas, principalmente no que se refere aos efeitos especiais e suas cenas de luta. O roteiro é extremamente simplório, com todos os personagens muito planos e pouco desenvolvidos, além dos diálogos pouco elaborados. A cenografia e os figurinos também são muito pobres apesar de serem muito fieis aos quadrinhos da época.

Muitos podem argumentar que a precariedade da obra é resultado de ter sido realizada no inicio dos anos 90, onde a tecnologia dos efeitos especiais ainda era muito precária e não existiam os modernos efeitos criados em computador, comuns nos filmes atuais. Bem, isso ode até ser verdade, mas é importante lembrar que no mesmo ano de 1994 onde esse filme estava marcado para ser lançado, foram lançadas obras como “Entrevista com um Vampiro” e “O Máskara”, que contavam com efeitos fantásticos. Também é bom ressaltar que “Superman”, de 1978, conseguiu realizar os efeitos de voo e dos inúmeros poderes do personagem principal com um realismo incrível. Não, o que realmente causou a precariedade em O quarteto Fantástico foram o baixo orçamento e o pouco interesse da produtora em realizar um filme minimamente decente.

Entretanto, vendo como seriam os filmes seguintes do Quarteto Fantástico, eu entendo por que muitos fãs ainda amam esta obra tosca e a consideram a melhor adaptação desta importante equipe super heroica.

 

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